Suspeita de 22 anos foi detida em Lagoa da Confusão após ameaçar vítima com apoio de homem armado; grupo movimentou R$ 10 milhões no DF e em Goiás.
Em mais um desdobramento de uma megaoperação deflagrada na semana passada, a Polícia Civil do Tocantins (PC/TO), por meio da 6ª DEIC, cumpriu neste domingo (13) um mandado de prisão preventiva contra uma jovem de 22 anos, identificada pelas iniciais M.L.S.A.L. A captura ocorreu no município de Lagoa da Confusão.
A ação se conecta à ofensiva iniciada na quinta-feira (11) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PC/DF), que mirou uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão, lavagem de capitais e ameaça. A operação mobilizou forças policiais simultaneamente no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins para cumprir 47 determinações judiciais — incluindo 12 prisões preventivas, 18 mandados de busca e apreensão e 17 bloqueios de contas bancárias.
Segundo as equipes de investigação, a quadrilha concedia empréstimos sob cobrança de juros abusivos de até 20% ao mês. Caso os devedores atrasassem as parcelas, passavam a ser alvo de táticas ostensivas de intimidação e coação. Em apenas oito meses, estimou-se que o grupo tenha movimentado perto de R$ 10 milhões.
Ameaça a vítimas e provas colhidas
A ordem de prisão emitida pelo Judiciário aponta que a jovem detida no Tocantins figurava ativamente nas cobranças e foi registrada por câmeras de segurança no prédio de um dos alvos da extorsão. Ela também utilizava uma das linhas telefônicas empregadas pelo bando para pressionar os devedores.
Conforme trechos da decisão judicial, após a prisão inicial de outros membros da quadrilha na quinta-feira, M.L.S.A.L. dirigiu-se até a casa de uma das vítimas ao lado de um indivíduo armado. No local, a investigada exigiu uma cópia do depoimento prestado à polícia e proferiu novas ameaças.
O inquérito reuniu um expressivo acervo probatório contra a suspeita, incluindo:
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Registros de movimentações financeiras cruzadas entre a jovem e outros investigados.
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Capturas de tela, mensagens de texto e arquivos de áudio contendo cobranças agressivas.
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Planilhas contábeis do esquema, relatórios de inteligência policial e quebras de sigilo bancário.
Origem do inquérito e apreensões
O estopim para a apuração policial ocorreu quando um feirante da Feira dos Goianos, em Taguatinga (DF), denunciou à polícia a coação sofrida por não conseguir quitar um empréstimo. A partir dessa queixa, a PC/DF mapeou a estrutura do grupo, que usava contas bancárias de parentes e empresas de fachada para ocultar o dinheiro ilícito.
Na primeira fase da operação, as equipes apreenderam veículos, valores em espécie, armas de fogo, munições, aparelhos celulares, cheques e documentos contábeis. Entre os alvos já encarcerados figura um sargento reformado da Polícia Militar de Goiás.
A prisão realizada pela 6ª DEIC no interior tocantinense consolida o trabalho conjunto entre as polícias estaduais para desmantelar a totalidade do grupo criminoso.