Procurador-geral Paulo Gonet envia parecer ao STF contra mudança na prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

Chefe da PGR concorda com relatório da Polícia Civil do DF sobre caso de armamento, mas defende que pistola permaneça confiscada pela Justiça.

O chefe do Ministério Público Federal deu um parecer favorável à continuidade do atual modelo de restrição de liberdade aplicado ao ex-mandatário do país.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou uma manifestação oficial ao Supremo Tribunal Federal posicionando-se contra qualquer endurecimento ou alteração na prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.

A manifestação atende a um despacho emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, que conduz as ações penais da corte e solicitou a avaliação do órgão ministerial sobre os desdobramentos de uma investigação recente envolvendo o recolhimento de um armamento de fogo de propriedade do ex-presidente.

Gonet ponderou que o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal não encontrou indícios que pudessem incriminar o ex-presidente no ocorrido, descartando a existência de qualquer infração de comportamento que justificasse a perda do benefício do recolhimento residencial.

Apesar de dar um voto de confiança para que Bolsonaro continue cumprindo sua pena em casa, o procurador-geral da República estabeleceu uma ressalva técnica importante ao defender que a pistola confiscada não seja devolvida aos cuidados do político.

O parecer também pede que a arma apreendida permaneça retida, apesar de a Polícia Civil não ter indiciado o ex-presidente no caso – Foto: Fábio Rodrigues/Agência Brasil;

Na visão do chefe da PGR, portar ou guardar dispositivos bélicos colide diretamente com as regras básicas e o perfil jurídico exigido de um cidadão sob o regime de prisão domiciliar.

Horas antes, a corporação policial do Distrito Federal já havia decidido pelo não indiciamento de Bolsonaro, justificando que o objeto estava com a documentação em dia e guardado em sua moradia oficial, onde o político reside desde o dia 27 de março, data em que iniciou o cumprimento de sua sentença condenatória referente aos processos que investigaram as articulações para uma tentativa de golpe de Estado no país.

Por outro lado, o desfecho da investigação policial não foi favorável para a equipe de apoio do ex-presidente. O agente de segurança Estácio Leite acabou indiciado formalmente sob a acusação de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, após ser interceptado por agentes de segurança pública em uma barreira de fiscalização em Brasília com a pistola em sua posse.

Na ocasião do flagrante, o funcionário argumentou que estava apenas transportando o equipamento para uma oficina mecânica de manutenção, versão que foi integralmente ratificada pelos advogados de defesa de Bolsonaro durante os depoimentos.

Com o aval de Paulo Gonet entregue ao STF, caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes avaliar se acompanha as conclusões da Procuradoria-Geral da República e da polícia para bater o martelo sobre a manutenção das regras de custódia do ex-presidente.

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