Investigação da Polícia Civil sobre fraude de R$ 139 milhões na terceirização de UPAs provocou o afastamento da titular, que permanece oficialmente no cargo.
A condução administrativa da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas passou por uma reestruturação emergencial determinada pelo chefe do Executivo.
O prefeito Eduardo Siqueira Campos escolheu a gestora Ana Paula dos Santos Andrade Abadia para assumir o comando interino da Semus, uma decisão motivada pelo recolhimento prisional da secretária titular, Dhieine Caminski, ocorrido nesta quarta-feira, 10, durante o cumprimento de mandados judiciais de uma força-tarefa da Polícia Civil.
A nomeação temporária foi devidamente formalizada e circulou na edição do Diário Oficial do Município na mesma data do incidente, garantindo a continuidade dos serviços médicos públicos da capital tocantinense.
Ana Paula, que exercia a função de secretária executiva da Escola de Saúde Pública da autarquia, possui carreira consolidada na área, sendo servidora de provimento efetivo na Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins e ex-comandante da pasta da saúde na cidade de Araguaína.
Mesmo diante do cumprimento da ordem de prisão preventiva, o Palácio Municipal optou por não assinar a exoneração formal de Dhieine Caminski, fazendo com que uma série de portarias e despachos administrativos outrora validados por ela continuassem sendo publicados regularmente no Diário Oficial.
A ofensiva policial que resultou na detenção da secretária e também do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, faz parte dos desdobramentos operacionais da Operação Falsa Emergência.
Os investigadores da Polícia Civil reúnem indícios sobre um esquema de desvio e favorecimento ilícito em uma licitação de R$ 139,1 milhões de reais voltada para a terceirização da mão de obra e logística das Unidades de Pronto Atendimento de Palmas.
O inquérito policial imputa aos envolvidos as acusações de ocultação de bens, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos públicos e formação de quadrilha.
Em nota, a banca de advocacia que representa Dhieine Caminski declarou que aguarda a liberação das cópias integrais dos depoimentos para se pronunciar sobre as suspeitas, posicionamento semelhante ao do defensor de Andreis Vicente, que requereu acesso aos autos para detalhar a estratégia de defesa.