O que o povo lembra de Carlesse no passado: saúde, obras e a marca de um governo em tempos de crise

Agora pré-candidato a deputado federal, o ex-governador Mauro Carlesse volta ao centro do debate político, reacendendo lembranças sobre sua trajetória e sua passagem pelo comando do Tocantins.

Quando Mauro Carlesse assumiu o comando do Tocantins em 2018, o cenário político e administrativo do Estado era de instabilidade. Primeiro como governador interino, após a cassação da chapa anterior, e depois eleito naquele mesmo ano, Carlesse chegou ao Palácio Araguaia em um momento de forte pressão sobre as contas públicas e sobre a capacidade do Estado de voltar a investir. O próprio governo, à época, descreveu um quadro de dificuldades fiscais e baixa capacidade de investimento no início da gestão.

Mas foi durante a pandemia da Covid-19 que seu governo enfrentou o maior teste. Em 2020 e 2021, a gestão estadual concentrou esforços na ampliação de leitos, envio de respiradores, pactuação de estrutura hospitalar e reforço da rede pública. Em maio de 2020, o governo anunciou a projeção de abertura de 200 novos leitos no Estado, com previsão de distribuição entre Palmas, Araguaína e Gurupi. Nos meses seguintes, também foram divulgadas ampliações de UTIs e reforço de equipamentos em Araguaína, Gurupi e outras regiões.

Entre as lembranças mais fortes deixadas por aquele período estão justamente as ações na saúde. Em Araguaína, a retomada da radioterapia no Hospital Regional foi tratada como um marco, depois de anos de interrupção no serviço. A gestão também deu andamento à reforma e ampliação da UNACON, ampliando a estrutura de atendimento oncológico na região.

Em Gurupi, o Hospital Geral de Gurupi (HGG) virou símbolo de uma promessa regional de fortalecimento da saúde no sul do Estado. Durante a gestão Carlesse, houve vistorias, reforço na execução da obra e, em 2021, a abertura de 20 leitos de UTI Covid-19 na unidade, em fase inicial de funcionamento. A estrutura foi apresentada como estratégica para ampliar a assistência hospitalar na macrorregião sul, com previsão de capacidade total de 200 leitos quando concluída.

Além da saúde, o governo lançou em 2021 o programa Tocando em Frente, com previsão de investimentos distribuídos entre os 139 municípios, voltados para obras de infraestrutura urbana, estradas vicinais, postos de saúde, calçamento, asfalto e outras intervenções locais. O programa foi apresentado pelo governo como uma tentativa de reativar a economia e espalhar investimento por todas as regiões do Tocantins.

Na memória política do Tocantins, porém, o legado de Carlesse também convive com o desfecho turbulento de seu mandato. Em 2021, ele foi afastado do cargo e, depois, renunciou. Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça registrou que os processos relativos ao ex-governador seriam remetidos à primeira instância após a renúncia. Esse capítulo faz parte da história e divide opiniões quando se fala no que ficou daquele período.

O tempo costuma filtrar os governos pelo que mais tocou a vida das pessoas. No caso de Mauro Carlesse, a lembrança popular passa, sobretudo, por dois caminhos: a imagem de um Estado atravessando a pandemia sob forte pressão e a associação de sua gestão a obras e avanços na saúde, especialmente em Gurupi e Araguaína. Entre elogios, controvérsias e diferentes leituras políticas, ficou uma marca difícil de apagar: a de um governo lembrado por ter enfrentado um dos períodos mais críticos da história recente do Tocantins com a saúde no centro do debate.

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