Defesa de Andreis Vicente afirma que uso de BMW alugada ocorreu uma única vez e pede liberdade; ex-gestor pediu exoneração do cargo na Saúde de Palmas.
A defesa de Andreis Vicente da Costa, ex-superintendente de Atenção à Saúde de Palmas, negou que ele tenha recebido vantagens indevidas e revelou que o servidor mantinha uma relação pessoal com a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva.
Ambos são alvos da Operação Falsa Emergência, da Polícia Civil, que investiga supostas fraudes na terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital.
Andreis foi detido no dia 10 de junho junto com a secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski. Apontada pelos investigadores como lobista no esquema, Cláudia Fernanda foi presa nesta segunda-feira (15), após se entregar às autoridades.

O inquérito apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa em um contrato de R$ 139 milhões para a gestão das UPAs.
Nesta terça-feira (16), o Diário Oficial do Município publicou a exoneração de Andreis, que solicitou o desligamento do cargo. Segundo seus advogados, o pedido de saída já havia sido formalizado antes mesmo do mandado de prisão preventiva ser expedido.
Advogado rebate acusação sobre carro de luxo
A ordem judicial de prisão levou em consideração o uso, por parte de Andreis, de uma BMW X1 alugada por Cláudia Fernanda por R$ 9,5 mil mensais.
O contrato de locação do veículo teve início um dia antes da dispensa de licitação que beneficiou a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.
Em nota oficial, o advogado Eduardo Guimarães contestou a acusação, afirmando que a polícia se baseou em apenas uma foto do ex-superintendente entrando na garagem do prédio da empresária.
A defesa assegura que o carro foi utilizado por “apenas algumas horas” e devolvido logo em seguida, justificando que a relação entre os dois era estritamente afetiva e sem ligação com a administração pública.
“Afirmar que um servidor concursado com duas décadas de funcionalismo público teria recebido como vantagem indevida o fato de usar um veículo alugado para praticar ato de ofício em um contrato de R$ 139 milhões é uma conclusão divorciada da realidade”, rebateu a defesa, que já acionou a Justiça pedindo a revogação da prisão.
O papel de cada um segundo a Polícia Civil
A investigação aponta dinâmicas específicas sobre a atuação dos envolvidos no contrato firmado em março deste ano:
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Andreis Vicente: É acusado de redigir minutas de pareceres técnicos e repassá-las para que outros funcionários assinassem, burlando discussões na comissão responsável.
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Cláudia Fernanda: É apontada como a intermediária (lobista) que viabilizou o acordo entre o município e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.
Em posicionamento oficial, a Santa Casa de Itatiba declarou que não é o alvo central da operação policial e negou qualquer tipo de vínculo institucional ou contratual com a empresária investigada.
Posição da Prefeitura de Palmas
A Prefeitura de Palmas informou que o Termo de Cooperação para a gestão compartilhada das UPAs está sob análise jurídica, mas garantiu que o atendimento à população nas unidades Norte e Sul continua ocorrendo sem interrupções.
O município declarou ainda que colabora com as investigações, fornecendo todos os documentos solicitados pelas autoridades com transparência.
